domingo, 19 de dezembro de 2010

O porquê deste Blog

As viagens sempre cresceram em mim, medravam como ervas daninhas. E por mais que as ceifassem elas floresciam novamente e criavam um jardim onde eu vivia encantada.
No entanto, passaram-se muitos anos em que apenas os meus dedos viajavam sobre o Atlas ou a minha cabeça pousava à janela e recolhia o vento: reconhecia no ar em movimento a dinâmica de outros povos.
E foi nesse dia, no dia em que acompanhei a minha irmã mais nova ao aeroporto para a sua primeira viagem, que me apercebi que estava irremediavelmente apaixonada.
Ela desapareceu por detrás da placa a indicar “Londres”, e eu dirigi-me para a paragem de autocarro. Lisboa acordava para a madrugada estremunhada e eu de olhos (sempre) abertos espreitava uma paisagem junto ao Rio que me parecia desprovida de qualquer encanto.
Era Amor, pensei.

E era. Volvidos alguns anos, recuperei todo o tempo perdido, todas as tardes gastas em buscas desvairadas de cheiros desconhecidos. Cozinhei o tempo e fi-lo estender-se à minha frente. Ignorei os rumores dos estáveis, dos planeadores e dos sábios.
E assim passados cinco anos já tinha visitado a maioria dos países europeus e estava à beira do aeroporto com uma mala e um bilhete para Londres. Estava pronta para consumar o meu casamento, e quando a linha da costa de Inglaterra apareceu na minha visão, eu senti um aconchego, como se de repente tivesse chegado a casa num dia de chuva e à minha espera estivesse uma chávena de chá.
Porque este casamento nasceu consumado.

Viajar é Amor.

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