terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Bus Amesterdam - Brussels - Paris


Take me out tonight
Where there's music and there's people
Who are young and alive

A passagem do ano apanhou-me de passagem entre Antuérpia e Paris. Algures pelo meio da viagem do autocarro que faz Amesterdão-Paris, entrou um passageiro mais da vida do que de qualquer transporte público. Era eu, com uma mochila e um mp3.

Driving in your car
I never want to go home
Because I haven't got one anymore

Sentei-me entre as cabeças encostadas aos bancos, as malas acumuladas no corredor, os pés estendidos, os pacotes de batatas fritas, os restos de filmes e livros. A luz fechou-se, o autocarro seguiu para Bruxelas e eu senti-me estranhamente em casa. Agachada no meu minúsculo lugar, agarrada à minha mochila e com os phones a brotarem Smiths, senti aquele conforto de ter chegado a casa: aquele lugar de passagem, entre pessoas de passagem.

Take me out tonight
Because I want to see people
And I want to see life
Driving in your car
Oh please don't drop me home
Because it's not my home, it's their home
And I'm welcome no more


E entre os meus companheiros virei também as costas à cidade que ficou para trás. E no horizonte, só as luzes da auto-estrada simulavam um caminho para um autocarro cheio de gente desgovernada que não sabe para onde vai.  Mas sabe onde está.

And if a ten ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well the pleasure, the privilege is mine

E naquele autocarro a fermentar vida, lembrei-me que podia morrer. Mas que seria um privilégio morrer assim. Entre uma viagem e minha música.

1 comentário:

  1. And if a ten ton truck
    Kills the both of us
    To die by your side
    Well the pleasure, the privilege is mine

    Há nestas palavras, como nas tuas, algo de simultaneamente terrível e incomensuravelmente belo.

    ResponderEliminar