segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

True to His Own Spirit

O viajante sem lugar ou país. Um viajante de si mesmo fiel á sua integridade e às suas convicções, senhor do sentido crítico de ter como direcção o lugar nenhum.
Apetece-me escrever o manual do viajante, mas um viajante deve ser contra manuais. Regras para a liberdade são um espelho da hipocrisia moderna.

Por isso, este sábado apanhei o metro em Paris e quedei-me em frente do túmulo de Jim Morrison, americano que morreu do outro lado do seu mundo. De passagem, alguém comentou que ele morrera longe de casa. Eu sorri de forma quase condescendente deste murmúrio sempre tão ignorante. 

Ou não soubesse eu, que este músico renunciou à sua própria família por não se identificar com ela e toda a sua vida foi um aglomerar de vivências de si mesmo, numa extensão da sua personalidade sem interferências passadas – as raízes de que tanto se fala.

Ele era a fiel a si mesmo, não às suas raízes. E por isso, como um viajante, cresceu. Ele sempre esteve em casa. E ao contrário da maioria das pessoas estáticas em fundações sem sentido, morreu no melhor sítio para se morrer -  morreu com ele mesmo. 

 (True to his own spirit - greek inscription on the Jim Morrison grave)


1 comentário:

  1. "music is your only friend until the end".
    ele morreu com ele proprio porque morreu acompanhado, eternamente acompanhado, pela musica.
    E, para um artista, nunca existe pátria. Sempre que te falarem de pátrica, o seu conceito de arte é fraco e , dificilmente, a praticam.

    ResponderEliminar